19/05/2014

BARALHAR E CONTAR DE NOVO: STORYTELLING NA HOTELARIA


PORQUÊ BRAND STORYTELLING?





A resposta é simples: porque cria engagement, envolve, conquista, cria empatia, pertença e acrescenta valor. É a evolução natural de comunicar as Marcas: de dentro para fora, com Empresas mais humanas e Pessoas mais empreendedoras.
Estamos na ERA EMOCIONAL: Marketing 3.0 já não é sobre o que fazemos mas, sobre as estórias que contamos e as emoções que despertamos.


Fico chocada quando em pleno séc. XXI ainda paira no ar uma certa dúvida sobre o valor do Branding, já para não falar do Marketing. Grandes ou pequenos hotéis e grupos usam na prática duas grandes desculpas: custa dinheiro e não é possível avaliar resultados. A minha pergunta é: em que mundo vivem? It`s all about Brand Storytelling.  


HOTELEIROS E BRANDING

Ao mesmo sei porque isto acontece: os hoteleiros necessitam SIM de ter formação nesta área que domina por absoluto a economia e a sociedade: as Marcas valem e representam milhões de euros. Sou mais a favor desta solução do que trazer pessoas sem formação em Turismo/ Hotelaria para o sector, e porquê?  Porque somos uma industria diferente, especial e única: realizamos sonhos, mudamos as vidas das pessoas quer pelas experiências quer pelo seu próprio crescimento pessoal quando viajam, porque promovemos a crescente consciência ambiental e a sensibilização para o respeito do planeta e diferentes culturas, cuidamos e mimamos, surpreendemos ao transformar momentos de vida em vivências intemporais de valiosas emoções e mais que tudo isto, expandimos amor e felicidade contribuindo para uma mundo ainda melhor.


DEITAR DINHEIRO FORA
O que custa verdadeiramente dinheiro e muito, é não fazer ideia do potencial que têm e não fazer nada sobre isso. Grandes e pequenas empresas continuam a fazer quase o mesmo de sempre: uma clara aposta na redução de preços, promoções, leilões, especiais ou seja no fácil, no óbvio e inteligentes são aqueles que escolhem outras abordagens. O mesmo se passa na formação: horas e euros que hotéis e grupos gastam, quando a dura verdade é: não há um propósito que suporta uma estratégia e sim apenas técnicas e comportamentos sem base emocional integrada numa clara visão e missão da marca. Directores Gerais e de Recursos Humanos (ou em alguns casos Departamento de Pessoal) querem que os “seus” colaboradores vistam a camisola, quando não há nada para vestir mas, não percebem que não é por gastar mais horas em formação que isso vai mudar: fazer sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes tem um nome: insanidade.

QUER MUITOS FRUTOS SEM TER RAIZES?
Quanto mais pesquiso, estudo, realizo consultadorias e workshops sobre o tema: BRAND STORYTELLING transversal nos hotéis, mais constato que está tudo por fazer. Está na moda falar sobre a importância de contents, e concordo, porém como pode uma árvore ter um tronco sem raízes? E como colher muitos frutos deliciosos de grande qualidade sem que a árvore tenha raízes? Ou seja se não houver A ESTÓRIA PRINCIPAL como vou criar contents? É essa uma das grandes diferenças entre as grandes marcas: todos contam a mesma estória apenas de formas diferentes, o guião é o mesmo a forma de interpretar é a cada meio de personalizar.

A RAIZ E A AUTENTICIDADE DA MARCA
Ouvi certa vez uma expressão que resume muito do que se passa e o passo que é necessário dar: “de comerciantes espertos a sábios agricultores” é necessário voltar à raiz e aqui a raiz é mesmo o ADN da marca: missão, visão e valores, qual o sonho? Qual o propósito, qual o sentido, que significado? Que estória tem para contar? É a partir daqui que tudo expande, são as coordenadas que servem de orientação no crescimento da empresa, de criar a cultura da marca/hotel, é aqui que reside o factor chave para envolver as pessoas a serem parte integrante com sentido de pertença, que são importantes e pro-activas, todos contribuem positivamente para o crescimento da empresa e não apenas receber salários: é a diferença entre ter colaboradores apaixonados ou apenas úteis. Uma cultura que é para ser vivida e não apenas um texto que aparece no site, que nunca ninguém dentro da empresa leu ou sabe da sua existência. Envolver as pessoas e a marca é criar um relacionamento verdadeiro para a vida. Sugiro que aprofunde os seus conhecimentos sobre Estratégias de Liderança na Disney de Lee Cockerell.

DE CLIENTES A BRAND CO.CREATORS & AMBASSADORS
Já não estamos no B2C ou B2B, estamos no H2H: Human to Human. São Pessoas: hoje parte activa (por vezes até mais que a própria marca) na criação e divulgação da marca: seja notoriedade, seja novos serviços, produtos, são eles que contam a sua estória por fotografias, vídeos, comentários, blogs, sites, a capacidade de partilha hoje é ilimitada. Cabe a cada marca criar a estória principal, o guião que vai permitir cada pessoa interpretar da sua forma: o factor recomendação é cada vez mais poderoso, sabe que 70% das pessoas em férias partilha fotografias com os amigos? por isso pense: como posso tornar este cliente num embaixador da minha marca?

Porém o cliente ainda permanece em alguns casos a ser “uma figura estranha” que dá trabalho e pede coisas que não deve, ou então colaboradores que querem evoluir e a empresa não permite porque é assim que sempre foi. De facto há um grande caminho de crescimento e evolução. 

É sempre com um sorriso que respondo quando as mentes mais conservadoras dizem “teorias, isso são teorias” acredito que também devem ter dito o mesmo a Thomas Edison, Joseph Carl Robnett Licklider e Martin Cooper. A questão que coloco é simples e prática: acha mesmo que as marcas de referência investem em brand storytelling porque acham que são teorias? Não me parece. A Verdade é que tudo é pensado ao detalhe, detalhes que geram lucros!

STORYTELLING: O PODER DE GERAR VALOR
O que faz com que uma cama, seja vendida a 300€ ou a 50€ a noite? Sim, pode dizer que são os materiais, e o hotel, e a localização mas quero apenas focar a cama: são sempre as estórias que geram valor. Outro exemplo: malas e até mesmo café. 

Quando as estórias que a marca conta são autênticas, quando os conceitos dão lugar a promessas e estas a boas surpresas, quando o envolvimento é verdadeiro que gera valor para todos, quando há nobreza de caracter e valores humanos, quando se cuida de quem cuida e que todos os dias está feliz por estar ali. Muitos são os exemplos geniais destas realidades, para isso é ter a humildade de querer aprender, de crescer e de evoluir e acima de tudo, relembrar o grande propósito de tudo isto:  encantar e criar magia: Revolucionar a Hotelaria.

Ana Cristina Guilherme
Driven by Passion & Purpose